quarta-feira, 9 de março de 2016

O COMENDADOR





Quando foi estudante e depois escuteiro lá para os lados da Polana, e quando depois foi desportista de eleição, tendo para o efeito dedicado uma grande parte da sua juventude e adolescência ao seu Desportivo e ao basquetebol em particular, o meu amigo Zé nunca pensou que alguma vez poderia ser chamado de “senhor comendador”.

 

Quem o conhece sabe que ele não faz gala disso. Nem tão pouco se importa com as honrarias que tal designação lhe possa oferecer.

Não é nem nunca foi daquele tipo de pessoa que se incha (como muitos que circulam por aí) só porque lhe atribuíram uma função, um cargo ou outra coisa qualquer. Não gosta nem nunca gostou de demonstrar os seus dotes, ou de se gabar em público (gabarolas é o que há por aí aos montes), inventando histórias sobre coisas que fez ou deixou de fazer.

No meu amigo Zé simplicidade é uma palavra sagrada. Foi assim que sempre o conheci e é assim que sempre vai ser.

Ele sabe que, como comendador, tem o seu nível de responsabilidade. E essa responsabilidade foi sendo construída quando, um desaire na vida lhe provoca danos físicos, em pleno período do cumprimento do seu serviço militar.

A deficiência visual e a ausência dum braço, nunca foram impeditivo para que o meu amigo Zé se dedicasse, de alma e coração, aos projectos que sempre abraçou e executou com abnegação e saber.

Na Associação dos Deficientes das Forças Armadas, (em Portugal) onde desenvolve a sua actividade como Presidente desta Instituição, o “laurentino” Zé é um caso raro de mérito, de trabalho, de persistência, de competência e de amor pelo próximo, como diria o José da Costa (Casquinha), um dos seus companheiros do basquetebol de tempos bem recuados.

Parabéns José Arruda por mais um mandato. Que as experiências de 1987 a 1995 e as subsequentes, sirvam de exemplo e constituam a plataforma para mais realizações a favor daqueles que, por força dum infortúnio, passaram a saber conviver (e duma forma sã) com esse estatuto de DEFICIENTE.

Aquele abraço.

quarta-feira, 2 de março de 2016

JACOB ZUMA ... o todo-poderoso.




 Esta semana li um artigo no “Rand Daily Mail” de Joanesburgo, onde se afirma que secretamente o Presidente sul-africano Jacob Zuma anda a preparar o terreno para mais um mandato como Presidente do ANC. 
 
Para isso ele conta já com o apoio da Liga da Juventude e também com um grupo de influentes políticos que formam a chamada “Premier League” (Primeira Liga) e da qual fazem parte os responsáveis das províncias de Free State, North West e Mpumalanga. Estes já estão na campanha de compra de votos. 

Até aqui nada de especial porque a limitação de mandatos é apenas para o Presidente da República e não se aplica ao Presidente do Partido.



Sabendo-se da instabilidade política e a já conhecida cisão no seio do ANC, com a existência de, pelo menos, duas alas bem distintas, Jacob Zuma delineou alguns passos que vai procurar seguir para alcançar os seus objectivos particularmente no que à sua continuidade na direcção do partido diz respeito.

Em 2017, sugere o jornal “Rand Daily Mail”, Nkosazana Dlamini Zuma pode vir a ser eleita pelos delegados do partido como candidata à Presidência da República, prevendo-se que Baleka Mbete seja a Vice-Presidente. Se isso acontecer (já há lobbies nesse sentido) cumpre-se assim um dos desejos da Liga das Mulheres do ANC que é o de ver uma mulher no topo da governação sul-africana.

Como presidente do partido (se ganhar as próximas eleições internas do ANC), Jacob Zuma vai continuar a ser o homem forte, porque, lá como cá, “o partido é que comanda o Estado”.

Vai ser ele a orientar Nkozasana Dlamini Zuma, tornando-se esta numa “figura decorativa” ou “corta-fitas” do Estado e nada mais. 

Mas o tiro pode sair pela culatra porque o nível de popularidade e capacidade de Jacob Zuma vai-se degradando dia a dia. Uma pesquisa da semana passada realizada pela empresa “Afrobarometer”, indica que os níveis de Zuma, nos dois primeiros meses de 2016 cifravam-se em 24% contra os 36% de 2015 e os 64% conseguidos em 2011. É uma queda em flecha. 

Está provado que Jacob Zuma não consegue arrumar a sua própria casa. E ainda há quem queira que ele venha arrumar a casa dos outros.

A ver vamos!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

ÁGUAS DE MARÇO

ÁGUAS DE MARÇO !  



       O porta-voz diz uma coisa. O seu superior hierárquico diz outra. O assunto é o mesmo. As posições entre chefe e subalterno são diferentes.  



Um diz que a estrada nacional vai passar a ser controlada. Outro diz que “não é bem assim”. Vamos controlar sim, se …



Se o quê? Se as perseguições não pararem.



Abrem a boca para dizer o que bem entendem. A credibilidade de um e de outro vai pelo ralo abaixo.



Ou será que andamos a brincar ao “polícia e ladrão “?



Bem me parece que sim.




Mas há mais: não se consegue encontrar um interlocutor válido. Mas antes, muito antes, o interlocutor existia. Era tratado com deferência. Com pompa a circunstância. De repente, perdemos o rasto do senhor. Anda pela parte incerta. E da parte incerta chega-nos a incerteza de que as coisas mudem. Para melhor é claro. Hoje diz-se uma coisa, amanhã outra. Perante este mar de contradições, as balas, dum e de outro lado, derrubam a esperança de paz. Derrubam o sonho da criança estudar. Das pessoas se movimentarem livremente. E dizem-se, os dois, amantes da paz.



Depois de muitas ajudas, muitos apoios, muita concertação, muita diplomacia, muitos observadores, há ainda quem venha de fora descobrir a pólvora: “há falta de confiança entre ambos”.



Há ainda a história duma carta com o pedido de mediação. Enviaram? Ou será que alguém diz que mandou e não mandou? Ou então alguém recebeu e diz que não recebeu?  



Como dizia o cineasta e amigo (cito com a devida vénia) João Ribeiro … “os recentes anúncios de uns, mais a falta de anúncios de outros, as vontades adormecidas e as capacidades ocultadas de todos, levam-nos, passo a passo, para um destino já conhecido. E a certeza desse destino é tão clara quanto escuros são os seus fins. Tic-Tac. The clock is thicken. Did you notice?”



As Águas de Março estão aí à porta.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

7 DE SETEMBRO DE 1974

MAFALALA … A GRANDE OPERAÇÃO.   

       Em Março de 2014, pessoa amiga, a partir de Lisboa, envia-me uma mensagem dizendo que “estou a ler o teu depoimento sobre o 7 de Setembro”. Fiquei surpreendido com essa informação. Vim a saber pela mesma fonte que esse depoimento, em forma de entrevista, feita pelo meu antigo colega e amigo José Alexandre Ribeiro Franco, e publicada inicialmente no portal electrónico “BigSlam” (www.bigslam.pt) tinha sido repescado pelo jornalista Ribeiro Cardoso, para o seu livro “O Fim do Império”.

       A partir daí comecei a encetar contactos no sentido de poder obter o livro. Neste percurso encontro-me com o Aurélio Le Bon que se prontificou de imediato em fazer chegar um exemplar às minhas mãos. Foi por sinal nesse dia que fiquei a saber da empreitada do Aurélio. Ele estava a dar corpo a uma ideia antiga. A de registar testemunhos dos que participaram na “grande operação” do 7 de Setembro de 1974. E assim se fez.

       Um dos estúdios da Rádio Moçambique serviu de ponto de encontro daqueles que se embrenharam nessa operação tão delicada como perigosa, de evitar um derramamento de sangue. Diariamente se faziam os registos magnéticos com depoimentos dos principais intervenientes, que posteriormente seriam transcritos para o papel e constituiriam matéria para o livro que foi lançado oficialmente em Maputo, anteontem.



       Embora sem obedecer a uma estrutura pré-definida, os depoimentos começam com uma pequena biografia dos actores que directa ou indirectamente contribuiram para a “operação Galo”, (Galo Galo Amanheceu), que culminou com a retomada do Rádio Clube de Moçambique, a 10 de Setembro de 1974.

       Mafalala 1974 … memórias do 7 de Setembro é um livro que nos remete ao passado. Um passado feito história que é preciso preservar e transmitir às novas gerações.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

TREINAR A DOR !!!

ABEL

       
Chegou a Maputo com esperança. Afinal, no meio de tanta desgraça, (chuva a mais por um lado e a menos por outro) é isso que a gente precisa. A esperança de vencer. Abel traz na bagagem a fórmula. Conta com a matéria-prima existente. E por cá essas “commodities” existem a dar com um pau. É só pesquisar nos bairros das nossas cidades, ali onde os prédios dão lugar aos tão necessários campinhos de futebol, onde se joga (va) com uma bola de trapos.

Abel chegou e mesmo antes de aterrar nesta cidade à beira do Índico plantada, trazia o remédio santo para os nossos “mambas”.

Na sua bagagem vem conhecimento, “know how” e vivência. Como treinador que é, vem apostado em “treinar a dor”. Como lutador que é vem apostado em “lutar contra a dor”. E como vencedor que é, vem disposto em “vencer a dor”.

Não estou a inventar nada. Foi o próprio Abel que disse, já lá vão uns tempos, quando os jornalistas perguntaram qual era o seu conceito de treinador.

Se procurarem (como o meu colega Luís Nhachote fez) no “you tube” ou noutra plataforma digital, vão encontrar o vídeo. Está lá tudo explicado. Tintim por tintim.


Enfim … conceitos !!!